quinta-feira, 28 de julho de 2011

Deleite se



O Abrindo Zíper desta semana conta com a participação da amiga, leitora e blogueira Kary Batgirl. Como em outros momentos compartilho com os leitores deste blog as letras soltas desta mulher que vem apimentar nosso espaço como uma representante das  lesbian girls  que movimentam este blog. 

Um idealista é um homem que, partindo de que uma rosa cheira melhor do que uma couve, deduz que uma sopa de rosas teria também melhor sabor.” 

 Ernest Hemingway


Para falar de sexo gosto de usar a seguinte frase de comparação: 




“Todo mundo é capaz de sentir prazer bebendo água quando está com sede, mas são poucos que conhecem o verdadeiro prazer em se beber um bom vinho.”


 Acredite existe prazer nos dois, cada um de sua forma para necessidades em momentos diferentes.
 Em dia quente talvez você decida fazer exercícios, caminhar, fazer compras ou simplesmente ficar de bobeira tomando um sol, a sede chega e você só consegue imaginar num copo bem cheio com água bem fresquinha e você é até capaz de senti-la molhando seus lábios, passando pela língua, enchendo sua boca e refrescando sua garganta. E você não perde tempo, pega o seu copo cheio e faz exatamente assim. A maioria das pessoas até se molham na hora de virar o copo. Neste instante o prazer é imediato e instantâneo.

 Sabe quando você está com tanto tesão que esquece todo os protocolos de sedução, as vezes esquece até o lugar que está, dá um beijo longo, intenso e desajeitado, tira a roupa de qualquer jeito ficando metade despido ou metade vestido, depende do seu ponto de vista filosófico. Tudo o que quer é começar logo a sentir prazer, ou beber a água e se satisfazer, neste caso matar a sede, gozando da forma mais primitiva e louca que nossos instintos possam nos permitir. Uau! Isso é muito bom e todo mundo busca, necessita e sabe como fazer, mesmo que negue, mesmo que ache pecado isso é uma verdade.

 Mas o que poucos sabem é achar esta mesma intensidade sem a loucura, se deixar queimar  de forma lenta sem perder a intensidade ardente de um vulcão. E é ai que entra o vinho. O prazer do vinho já começa na compra, escolher um bom vinho, de acordo com seu paladar, tinto, branco, doce, seco ou suave; que caiba no seu bolso ou que nos leve a extravagancia de gastar o que não se pode, onde até a embalagem, o local da safra e o ano te tragam satisfação na escolha.
Você o leva pra casa ou seja lá onde for bebe-lo e no caminho já vai imaginando o grande momento de sua degustação, chegando no local você o coloca para decantar (para quem não sabe é quando se deixa o vinho na vertical por pelo menos 15 minutos antes de servir) deixando que seus sedimentos naturais acumulados no fundo da garrafa se espalhem por toda a garrafa, até que chega o grande momento, você pega seu melhor abridor ansioso para ouvir aquele som da rolha que não dura nem um segundo mas que parece música aos ouvidos, o cheiro se espalha pelo ambiente enquanto a garrafa respira, cuidadosamente você serve o vinho em uma taça previamente planejada e novamente o som dele no copo como um anuncio, neste momento você é capaz até de sentir seu calor mesmo seguindo as regras de segurar a taça pela haste e como é bela sua visão, parece até um comercial de TV. Finalmente se leva a taça a boca e antes o seu perfume mais forte, próximo antecipando seu sabor que no primeiro gole já se espalha pela boca alterando seu paladar e seus sentidos.
Acredite poucos bebem vinho assim, como da mesma forma poucos sabem fazer sexo consciente do prazer de cada estagio.
 Aquele instante em que se decide seduzir, onde tudo na outra pessoa te faz deseja-la, o sorriso, a conversa, o corpo, a roupa e o jeito de se mover. O duelo da ousadia e do receio de qual será o momento certo para se dar o beijo e declarar assim suas intenções, os instantes em que a ansiedade te domina para chegar logo em casa ou seja lá onde for, rs. Enfim chegamos, novamente o beijo cheio de sinais das intenções, o som do beijo neste silêncio que causa mais excitação. Tira-se a roupa que você havia cuidadosamente escolhido e o contato da sua pela nua. Se sentir desejado naquele instante, a partir dai cada toque, cada abrir e fechar de olhos é uma nova satisfação. E quando finalmente os dois corpos estão nus, tão colados e já suados com o som novamente de respirações ofegantes só falta mesmo a consequência, gozar, mas antes naquele ultimo instante onde todo aquele desejo acumulado entra em erupção se sente um tremor, que você mal sabe de quem é, mas sabe que valeu a pena segurar até aqui.
Agora é só se deixar embriagar.

Enfim, todos nós já nascemos sabendo beber água, mas poucos se permitem aprender a beber um bom vinho, por isso acredito que esta frase é perfeita na definição de que existem duas formas de transar: uma para gozar e outra para sentir prazer. Sou a favor de ambas, de que não se limite a vida e seus prazeres, que se busque sempre mais e se permite cada vez mais, pois com o tempo, a rotina e tantos outros fatores faz com que a vida exija mais de você para ser feliz, a partir dai ou você se fecha e cai na escuridão ou se abre e é feliz. É uma questão de escolha.

Sugestão musical: Pitty - Equalize

Kary Batgirl  escreve para o blog :http://politicamente-in-correto.blogspot.com/

terça-feira, 19 de julho de 2011

Souvenir


Queridos(as) blogueiros e leitores do Abrindo Zíper, estive ausente deste meu espaço nos últimos meses, na verdade este primeiro semestre. A quase dois meses fiz a última postagem, mas não deixei de escrever. No decorrer do próximo do mês, publicarei dois posts por semana. Como sempre vida real, misturada a ficção e sem qualquer ordem cronológica. Hoje começo com“ Souvenir "post que deu título a um de meus futuros trabalhos.  Feliz por estar de volta! E obrigado por insistirem em minhas letras rabiscadas de forma tão simples .

Apaguei todas fotos, todas as que eu estava com ele. Era como se ele não estivesse ali nas festas, viagens, ou momentos marcantes. Eu só com paisagens, com meus amigos, com minha família, eu comigo mesmo. Elas se parecem mais comigo neste momento. Sozinho. E por alguns momentos nem presente de mim mesmo. 
O outro passo foi esvaziar minha caixa de e-mail, com todas as declarações, lindas naquele momentos e  hoje se parecem com promessas vazias, não importa o título da mensagem, o que sempre vem a minha cabeça é a palavra “ Equivoco” como assunto. Guardei tudo o que podia, nada que me lembrasse ele, ficou a minha vista ... Como é difícil “The Man I Love” na voz de Caetano, a xicara que ele tomava café, o carnaval de Salvador que eu sempre odiei e ele me convenceu a ir, fotos em que registraram cada um dos meus sorrisos, feliz por amar, os lençóis  ainda guardam a forma do corpo dele, o seu travesseiro ocupa seu lado da cama.  As paredes da casa ainda ecoam sua voz. Ele está em tudo e todo lugar ... Como um souvenir  ... Inclusive eu. Me acostumei tanto a estar com ele, que agora pareço uma lembrança vazia. Um livro lido pela metade. Parece exagero, mas não. Eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro que pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida. 
Passaram dias e noites e eu não sentia raiva, mágoa, rancor. Apenas dor. Me sinto impotente, como se existisse culpa para o término de um relacionamento que simplesmente não tinha mais combustível, nem mais estrada.

Respiro, solto devagar.  Me viciei em chá, comida congelada e filmes típicos de sessão da tarde. Uma semana depois tirei o foco da minha autocomiseração, já não me sinto um abandonado , já aceito com resignação a ruptura definitiva daquele relacionamento, e dei início a um novo processo de despedida. Não mais o adeus a ele, que já havia partido, mas o adeus à pessoa sofrida que eu vinha sendo.

Hoje me sinto livre, não sou mais um prisioneiro de mim mesmo nem refém do fim ... O que tenho, nesse instante, é um sabor inédito de beijo, um novo número de celular para adicionar na minha agenda, uma cor de olhos que não sei definir com precisão … Mas, com sorte, talvez eu consiga aceitar que no amor não existe moral da história, enfim


WD’ 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Esvaziar o coração




Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, 
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos. 
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, 
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…



Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. 

Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, 
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual 
a gente se apega. Faz parte de nós. 
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, 
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente, 
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. 
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde. 
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos 
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por 
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, 
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.



Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. 
É o arremate de uma história que terminou, 
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente… 
E só então a gente poderá amar, de novo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O viajante



Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Chico Xavier

Preparou se para mais uma viagem, destas que podem te levar a qualquer lugar, na imensidão do quase nada, chamado possibilidade. Na bagagem desorganizada era possível  encontrar sua coleção de ciúmes, paixão,  insegurança e auto controle.

Começou sua nova jornada, com sabor de recomeço, embora os personagens, cenários e contexto fossem diferentes, vivia mais uma vez o mesmo papel . Seu coração era um discreto passaporte, com o carimbo marcado de suas visitas a países anteriores. Desbravou  com entusiasmo a particularidade de cada local que visitou, alguns deles o mantiveram por mais tempo, outros apenas o tempo que tinham que durar.

 Nota se em sua estante “vida” uma considerável coleção de suvenirs, que  ora o faz sorrir, ora o faz chorar ...
Vontade de retornar do ponto que partiu?
Ou perceber que nunca realmente estivera ali?
Eram apenas lembranças de  antigas aventuras, recordações de bons momentos representados em pequenas miudezas. Mas porque se apegar ao que deixou, ao que passou, ao que não volta mais? Por mais que ele quisesse e acreditem ele tentou retornar a alguns lugares, mesmo estáticos, aos seus olhos não eram mais os mesmos. Não existia a novidade, as impressões, os mitos. Eram apenas terra, um porto seguro chamado saudade, do que foi e do que deixou de ser.

Leu em uma destas placas em um modesto restaurante por onde passou “ O tempo não passa, nós é que passamos por ele” e ali percebeu que embora caminhasse a passos largos, continuava parado no mesmo lugar, como um farol iluminando em várias direções, mas não iluminando a si mesmo.

Era pra ser uma nova jornada, mas sua bagagem pesava, não lhe deixava confortável, eram coisas demais, mesmo desconsiderando aquelas que perdia no meio caminho. Mas ele não percebia que se cobria com as mesmas roupas de sempre. Que seus passos eram os mesmos e que estes lhe levavam sempre ao mesmo destino.

Percebeu em seu caminho que o rio fluía bravamente sua direção, sem desviar, sem levar as pedras sobre ele, apenas fluía, livremente. Foi quando  decidiu que as bagagens deveriam ficar para trás. Seu mapa o guiou até a cidade de “ Algum Momento” , nesta uma bifurcação com duas direções a placa da esquerda sinalizava “ o novo” a da esquerda “ de novo” e sem exitar ele escolheu ... 

WD'

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os Novos Homens

Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito.
Fernando Pessoa

Porque os homens são tão difíceis de entender?
Esta foi a pergunta que uma grande amiga me fez esta manhã. Ela queria uma opinião masculina sobre o comportamento dos homens. Indiferente de minha orientação sexual, penso, ajo, desejo e me comporto como o homem que sou.  Com algumas diferenças notórias, a sensibilidade (não leia fragilidade), o lado emotivo  (não leia dramático) e intensidade (não leia impulsivo) estas sim decorrentes de minha personalidade.  Devemos entender que os “ novos homens” seguem um evolução natural.

Os meninos sempre foram educados para entender que ser homem é não ser “mulherzinha”. E isso significa que ele não pode e nem deve entrar em contato com sua sensibilidade. Afinal, homem que é homem não chora! Existe uma verdadeira vigilância para que isso não aconteça. Mas aí reside um grande problema. 
Se as mulheres hoje se tornaram mais independentes e realizam atividades que eram consideradas masculinas, elas não precisam mais do jeitão que os homens estavam acostumados a lhes oferecer. O que elas precisam e pedem neste momento é de um homem companheiro e sensível que ainda está por vir. Mas chega! Ainda não existe espaço para este novo homem: que entenda a necessidade do diálogo, que esteja mais conectado com os sentimentos, embora exista suas exceções. Mesmo no universo gay, existem e como existem os homens que não conseguem explorar seus sentimentos ou verborragia suas intenções. 

Talvez a única saída para o desencontro amoroso atual seja a sensibilização masculina. Mas para que isto ocorra devemos sair da visão preconceituosa e admitir que a masculinidade não precisa se auto-afirmar como negação do feminino, mas pode ter como base a integridade. 

Homem que é homem não precisa temer o seu lado amoroso e sensível. Que tal temperar sua força natural com o espírito da mútua colaboração? Isto significa que ele sai da competição de quem é melhor ou pior e se junta às para fabricar um autêntico relacionamento amoroso

Mas esta distancia emocional não é só cabível a alguns homens.  A distância emocional deixa a pessoa  em  uma situação difícil não apenas porque as pessoas em volta dela se sentem frustradas com a ausência de sentimentos mas também porque, ao adormecer as próprias emoções, elas se tornam incapazes de sentir empatia pelo que os outros sentem. E neste caso devemos tomar cuidado.

Mas o que esperamos deste “ novo homem” ? Em conversas de ouvido em que passo a escutar com mais profundidade e atenção a alguns amigos e especialmente algumas amigas, descobri que o homem ideal é imperfeito. E que sua imperfeição o torna perfeitamente ideal, a partir dos seus dois lados paradoxais.
É agressivo, mas é terno.
É duro, mas é sensível.
É forte, mas é fraco.
É objetivo, mas é compreensivo.
É ousado, mas é sensível.
É admirado, mas admira.
É racional, mas é emocional.
É individualista, mas é altruísta.
É poderoso, mas é honesto.
É autêntico, mas é fiel.
É errado, mas é certo.
É pecador, mas é santo.
É firme, mas é empático.
Resiste ao choro, mas chora quando é preciso.

Nada de Príncipe Encantado que chegara  cavalos, este não existem. 
O Homem Ideal existe, em sua proporção indefinida e imperfeita, mas enquanto não o encontra... 
viva, divirta se e tente com os Homens Reais, e acredite nem mesmo estes estão em todo lugar!

WD”

Sugestão Musical para Post: Um jeito estúpido de amar por Maria Bethânia

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Inexatos


“Exatidão é  como um moinho de café que mói admiravelmente o que se lhe dá para moer, mas não devolve outra coisa senão o que se lhe deu.”

Foram nestas palavras do brilhante Faraday que me motivaram a escrever este despretensioso post.

Diferente da matemática, os sentimentos são inexatos, pudera saudade ser decifrada como a raiz quadrada de 26. E que a mágoa pudesse ser subtraída a “ -1”. Se eu pudesse multiplicar as vezes que me senti feliz ou que  conseguisse afirmar que hoje amo mais 15 % do que ontem. Se eu pudesse somar em uma única equação desejo + paixão + liberdade e que a soma dos fatores não alterassem a soma. Mas, não!  Os sentimentos são inexatos e mesmo quando queremos fica difícil dividi los de forma democrática a todos que o esperam recebe lo. Que coisa estranha é o ser humano, uma massa de idéias e registros que nós podemos apenas ler e sentir, e mesmo assim não é exatamente como é.

Será a exatidão como a matemática a formula responsável para o sucesso das ações afetivas?

Os novos amantes aprendem a determinar a profundidade de seu sentimento em ...     “ Eu te amo mais que o (∞) infinito”, desde que o “ para sempre “saiu de moda, com a letra de um certo Legião que afirmava que ... “ o para sempre, sempre acaba”.

Há aqueles que já usam as frações para conseguir um bom partido. As famosas receitas  de “ bem casados”:

1 (um) homem inteiro para
1 (um) homem  ½ (meio) apaixonado.
1/3 (um terço) de razão para
¼ (um quarto) de loucura.
1/6 (um sexto) sentido para
1 (um)amor verdadeiro.

Esta semana li em um site especializado em redes sociais que após a onda das abreviações no MSN como:

-Oi vc tá TC de ond?
-SP
-Desculpa sou VC .
-Você sou eu?
-Não sou VC … Virgem de Chat …
-Rs : -)

… Chegou a DR da Extadidão.

- Meu vc é o < (maior) idiota, me enganou! Não gosta + de mim né?
- Gosto + ou - , é que eu tô ½ ÷.
- As X eu não te entendo. Vc tá
- Eu penso = a vc! Mas olha eu te amo.
- Ama?
- Amo
- Como? + ou que ontem?
-  Te amo

Sentimentos não podem ser medidos, mas podem e devem ser expressados, mesmo de forma aritmética. Mas na hora de viver nada de abreviaturas, viva por inteiro!
Se a vida muitas vezes parece exata, sem espaço para alterações, pense nela como uma prova de matemática, entre erros e acertos não importa qual o resultado, mas sim a forma como você o encontrou. Talvez ele não seja exatamente o certo, mas o que é a vida sem os erros.

Muitas vezes - é + e não ser = faz toda a   .
 Ih bem que avisaram que isso pegava mais rápido que  "bis" de axé music no carnaval da Bahia!


Feliz novo ano! 

WD’

Sugestão Musical para post: Einstein on the Beach por Phillip Glass

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A inversão do amor

“O amor não acaba, nós é que mudamos”
( Martha Medeiros)


O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.