terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O viajante



Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Chico Xavier

Preparou se para mais uma viagem, destas que podem te levar a qualquer lugar, na imensidão do quase nada, chamado possibilidade. Na bagagem desorganizada era possível  encontrar sua coleção de ciúmes, paixão,  insegurança e auto controle.

Começou sua nova jornada, com sabor de recomeço, embora os personagens, cenários e contexto fossem diferentes, vivia mais uma vez o mesmo papel . Seu coração era um discreto passaporte, com o carimbo marcado de suas visitas a países anteriores. Desbravou  com entusiasmo a particularidade de cada local que visitou, alguns deles o mantiveram por mais tempo, outros apenas o tempo que tinham que durar.

 Nota se em sua estante “vida” uma considerável coleção de suvenirs, que  ora o faz sorrir, ora o faz chorar ...
Vontade de retornar do ponto que partiu?
Ou perceber que nunca realmente estivera ali?
Eram apenas lembranças de  antigas aventuras, recordações de bons momentos representados em pequenas miudezas. Mas porque se apegar ao que deixou, ao que passou, ao que não volta mais? Por mais que ele quisesse e acreditem ele tentou retornar a alguns lugares, mesmo estáticos, aos seus olhos não eram mais os mesmos. Não existia a novidade, as impressões, os mitos. Eram apenas terra, um porto seguro chamado saudade, do que foi e do que deixou de ser.

Leu em uma destas placas em um modesto restaurante por onde passou “ O tempo não passa, nós é que passamos por ele” e ali percebeu que embora caminhasse a passos largos, continuava parado no mesmo lugar, como um farol iluminando em várias direções, mas não iluminando a si mesmo.

Era pra ser uma nova jornada, mas sua bagagem pesava, não lhe deixava confortável, eram coisas demais, mesmo desconsiderando aquelas que perdia no meio caminho. Mas ele não percebia que se cobria com as mesmas roupas de sempre. Que seus passos eram os mesmos e que estes lhe levavam sempre ao mesmo destino.

Percebeu em seu caminho que o rio fluía bravamente sua direção, sem desviar, sem levar as pedras sobre ele, apenas fluía, livremente. Foi quando  decidiu que as bagagens deveriam ficar para trás. Seu mapa o guiou até a cidade de “ Algum Momento” , nesta uma bifurcação com duas direções a placa da esquerda sinalizava “ o novo” a da esquerda “ de novo” e sem exitar ele escolheu ... 

WD'

3 comentários:

***Be disse...

Sem palavras.
Obrigado pela resposta a minha dúvida desta manhã.

AM disse...

WOW! Ano 3! Parabéns por continuar alimentando seus leitores de sonhos, respostas, questionamentos e tantas outras emoções! Bjs

Andressa Silva disse...

Leio seu blog todos os dias...parabéns pelas palavras.