terça-feira, 19 de julho de 2011

Souvenir


Queridos(as) blogueiros e leitores do Abrindo Zíper, estive ausente deste meu espaço nos últimos meses, na verdade este primeiro semestre. A quase dois meses fiz a última postagem, mas não deixei de escrever. No decorrer do próximo do mês, publicarei dois posts por semana. Como sempre vida real, misturada a ficção e sem qualquer ordem cronológica. Hoje começo com“ Souvenir "post que deu título a um de meus futuros trabalhos.  Feliz por estar de volta! E obrigado por insistirem em minhas letras rabiscadas de forma tão simples .

Apaguei todas fotos, todas as que eu estava com ele. Era como se ele não estivesse ali nas festas, viagens, ou momentos marcantes. Eu só com paisagens, com meus amigos, com minha família, eu comigo mesmo. Elas se parecem mais comigo neste momento. Sozinho. E por alguns momentos nem presente de mim mesmo. 
O outro passo foi esvaziar minha caixa de e-mail, com todas as declarações, lindas naquele momentos e  hoje se parecem com promessas vazias, não importa o título da mensagem, o que sempre vem a minha cabeça é a palavra “ Equivoco” como assunto. Guardei tudo o que podia, nada que me lembrasse ele, ficou a minha vista ... Como é difícil “The Man I Love” na voz de Caetano, a xicara que ele tomava café, o carnaval de Salvador que eu sempre odiei e ele me convenceu a ir, fotos em que registraram cada um dos meus sorrisos, feliz por amar, os lençóis  ainda guardam a forma do corpo dele, o seu travesseiro ocupa seu lado da cama.  As paredes da casa ainda ecoam sua voz. Ele está em tudo e todo lugar ... Como um souvenir  ... Inclusive eu. Me acostumei tanto a estar com ele, que agora pareço uma lembrança vazia. Um livro lido pela metade. Parece exagero, mas não. Eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro que pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida. 
Passaram dias e noites e eu não sentia raiva, mágoa, rancor. Apenas dor. Me sinto impotente, como se existisse culpa para o término de um relacionamento que simplesmente não tinha mais combustível, nem mais estrada.

Respiro, solto devagar.  Me viciei em chá, comida congelada e filmes típicos de sessão da tarde. Uma semana depois tirei o foco da minha autocomiseração, já não me sinto um abandonado , já aceito com resignação a ruptura definitiva daquele relacionamento, e dei início a um novo processo de despedida. Não mais o adeus a ele, que já havia partido, mas o adeus à pessoa sofrida que eu vinha sendo.

Hoje me sinto livre, não sou mais um prisioneiro de mim mesmo nem refém do fim ... O que tenho, nesse instante, é um sabor inédito de beijo, um novo número de celular para adicionar na minha agenda, uma cor de olhos que não sei definir com precisão … Mas, com sorte, talvez eu consiga aceitar que no amor não existe moral da história, enfim


WD’ 

4 comentários:

PauloSilva disse...

apagar aquelas recordações só podem doer quando efectuado o "delete"...
boas descrições de sentimentos!
abraço.

Jessica disse...

Me separei a uma semana, não tenho fotos, nem e-mail, nem nada o que o lembre. Aliás lendo este post me esforcei para lembrar o que guardaria daquela relação como um souvenir. A única coisa que me veio a cabeça foi a sensação de liberdade e paz . Essas quero lembrar por um bom tempo.
Quando voce posta o novo?

Kiko disse...

Isso tudo só me leva a crer que sentimentos são na verdade universais. As ações, os medos, as sensações, as motivações, sem a mesma ordem cronológica passei por isso tudo. Te lendo, re-li a minha história.

Andressa Silva disse...

Seus texto são encantadores!